quarta-feira, 8 de abril de 2009

Uma mulher, um negão, um edredon e uma velhinha espiã da 2ªGM

Para aqueles que não sabem, Stuttgart é uma cidade universitária e, para aqueles que já tiveram problemas com isso e sabem o inferno que é, um lugar difícil de se conseguir casa. Pois bem, durante o meu primeiro mês de Alemanha eu, Guga, tive que correr atrás disso insistentemente até encontrar um canto pra jogar minhas tranqueiras. Enquanto não encontrava nada fui gentilmente acolido por uma semana na casa de um amigo que tb estava trabalhando por lá e em seguida fiquei mais 3 semanas morando com nosso querido amigo Xandinho. Já falei isso algumas vezes, mas é sempre bom relembrar como ele me ajudou. Valeu Xandinho!!!

Apenas para ficar claro, na Alemanha é muito comum as pessoas morarem em Wohngemeinschaften, mais conhecidas como WGs, que são iguais às repúblicas brasileiras. O único diferencial é que lá é muuuuito mais comum repúblicas mistas do que aqui. Por exemplo, nosso amigo Luiz morava apenas com uma alemã. Deixo ele contar essa experiência em uma outra oportunidade. Apenas relembrem que ele é panda, logo...

Pois bem, enquanto eu procurava entre ofertas e mais ofertas algum lugar que aceitasse um brasileiro ESTAGIÁRIO (eles implicavam com isso...) pra ficar apenas 6 meses, eis que surge uma possibilidade de dividir o apê com uma alemã. O preço era razoável, a localização tb não era das piores, a menina falava inglês e foi um dos poucos lugares que eu consegui marcar uma visita, pois os outros normalmente já tinham umas 10 pessoas interessadas.... Ficou combinado que eu iria até o lugar no domingo, coincidentemente no fds que o Luiz estava em Stuttgart. Enquanto ele e o Xandinho passeavam pelo centro da cidade (o que pra mim foi esclarecido mais tarde consistiu apenas ver o Schloss e depois ficar deitado na grama...) eu fui até a casa.

Como era conhecida a minha tendência de me atrasar para os meus compromissos (defeito 90% resolvido... por enquanto pelo menos...) eu liguei para a dona da casa dizendo que estava saindo e que levaria uns 20 minutos pra chegar. Acabei me atrasando 3 min, o que está dentro da margem de erro de 5 min e foi um recorde pra mim.

Assim que cheguei no prédio toquei a campainha e nada. Liguei no celular da menina e nada. Toquei a campainha mais uma vez e nada... Campainha... Celular... nada... Depois de mais ou menos uns 10 min nessa rotina e sem nenhuma resposta, ficando "feliz" em esperar e já xingando "pq eu fui ser pontual" de repente surge uma velhinha no último andar (4º andar - lá é muito normal prédio de 3 ou 4 andares) e grita pra mim alguma coisa em alemão. Vale lembrar que eu estava ainda no primeiro mês de Alemanha, o que corresponde a um conhecimento limitadíssimo do idioma.

Olhando com aquela cara de "por favor me ajude" eu virei pra velhinha e soltei, no meu alemão precário "Sind Sie Claudia?" que é algo como "Vc é a Claudia?", a menina com quem eu tinha falado. Ela falou algo como "Claudia blablabla?", o sobrenome bizarro da menina, e eu disse que sim. Feliz por ela ter me entendido e um pouco tenso em pensar que a velhinha fosse a tal "menina", eu não tive muito tempo de pensar, pq em seguida veio uma exurrada de alemão pra cima de mim. Eu consegui entender basicamente "Auto" - carro, "ECG" ou coisa do tipo e vi ela apontando pra rua. Como um bom entendor e já começando a pegar o jeito desse negócio de meia palavra a minha conclusão óbvia foi: "Olhe na rua se o carro com a placa ECG está lá". Sim, era tudo isso mesmo. Eu fui até a rua e disse que o carro tava lá. Ela falou então basicamente que a tal Claudia devia estar em casa.

De repente a velhinha some e a porta do prédio abre. Esperei alguém sair de dentro, mas como não veio ninguém entendi que era pra mim. Entrei e subi até o último andar. Quando chego no topo da escada tá a velhinha tocando a campainha e batendo na porta da vizinha. "Bom, ela não é a Claudia", pensei. A velhinha não teve muito mais sucesso do que eu: Porta, campainha, porta, campainha, nada... Ela disse algo como a Claudia estar com seu amigo, o que mais tarde eu descobri (pra nunca mais esquecer) que a palavra amigo é a mesma para namorado: Freund. Algumas tentativas depois ela disse algo sobre "dormir", o que me levou a conclusão de que a Claudia estava dormindo.

A velhinha então pede pra eu esperar um minuto, entra de volta no próprio apartamento. Eu pensei "poxa, que velhinha simpática, tá tentando me ajudar". Nisso ela volta trazendo na mão uma tampa de pote de maionese. "Nossa o que será que ela vai fazer c..." PÁ PÁ PÁ PÁ!!!! Ela começa a bater na porta com A TAMPA DO POTE DE MAIONESE!!!! Eu, na mesma hora não consegui disfarçar a cara de PÃH! Sério mesmo, isso devia ser alguma técnica usada na 2ª Guerra Mundial ou coisa do tipo! Ela insistiu mais um pouco, tocou a campainha de novo até que de repente a porta abriu... Só que ao invés de sair a Claudia, sai UM NEGÃO!!! "Ai, meu Deus, a Claudia é O Claudia!", pensei.

A boa senhora fala alguma coisa em alemão do tipo, "ele veio ver o quarto". O negão, misteriosamente se escondia um pouco atrás da porta, mas eu achei que fosse só pq tava assustado com a barulheira. Nisso, aparece a tal da Claudia pra falar com a velhinha. Enquanto eu pensava "ufa, é uma mulher mesmo", eu me dou conta de que ela veio abrir a porta ENROLADA EM UM EDREDON! A boa senhora então se despede, eu agradeço e ela vai embora. Eu entro na casa um pouco constrangido com a situação e só pensando "que P&*#@ é essa?". Nisso, o negão volta, vestido (pq eu tenho certeza que ele tava peladão quando abriu a porta) e me cumprimenta. A tal da Claudia, no entanto, continua numa boa enrolada no edredon, como se fosse a coisa mais natural do mundo.

Eu começo a ver o apê totalmente constrangido, quase nem prestando atenção no que tá na minha frente. Passo pelo quarto, cozinha, banheiro, descubro que tem um gato na casa, o que seria muito legal.... depois de uns 10 min mais ou menos eu me dou por satisfeito/saturado de constrangimento e me despeço. Ela pede pra eu ligar na semana pra dizer se eu tinha interesse ou não. Saio do apê o mais rápido possível e de tão passado com o que tinha acontecido só consigo lembrar se no quarto tinha armário ou não uns 20 min depois, quando encontrei o Xandinho e o Luiz jogados na grama do Schlossplatz.

Depois que eu conto a história para os dois, eles rolam na grama de tanto rir. Eu concordo, eu faria a mesma coisa, mas na hora eu ainda tava meio transtornado, principalmente pq aquela poderia ser a minha casa nos próximos 6 meses. Pô, eu tinha ligado pra ela antes de ir pra avisar que eu tava chegando! Não dava pra segurar mais uns 20 minutos!!!! hehehe...
Durante a semana eu liguei pra Claudia pra falar que eu ia ficar com o apê (não tinha nada melhor em vista), mas no primeiro contato eu fiquei sabendo que tinha mais interessados. Uns 2 dias depois eu ligo de novo e ela me fala que não tinha mais o apartamento: "Ah, então vc vai alugar pra outra pessoa?" "Não, não, eu vou sair daqui tb...". ??????? Pq ela tava alugando o apê que ela ia sair??????
Eu sei lá, só sei que no fim das contas acabei encontrando um apê muito melhor em um bairro mais perto do trabalho, sem mulheres enroladas em edredons (só pra constar,a Claudia era gorda...), sem negões abrindo a porta pelados e sem velhinhas com tampa de maionese.... Valeu a aventura...


Abração.

Guga

Nenhum comentário:

Postar um comentário